
Depois de muito tempo sem estudar filosofia, sem tocar numa obra filosófica sequer, em dezembro de 2025 resolvo por as mãos numa obra, voltar aos estudos da filosofia em ordem cronológica, utilizando a obra Os Pré-Socráticos da edição Os Pensadores, de 1996. A obra começa com questionamentos que afligem todos nós que ousamos a enveredar na filosofia: o que teria levado o ser humano a fazer ciência teórica e filosofia? Por que surge na Grécia do século VI a.C. uma mentalidade que substitui as antigas construções mitológicas pela aventura intelectual?
Interessante que na obra, afirma que os gregos tinha consciência da sua originalidade, perdendo essa consciência com o decorrer dos anos, sendo dominados por outros povos. Acredito que essa dominação foi criando um complexo de inferioridade, ou mesmo, a perda do encantamento do seu brilho. Mas o que é interessante, que eles eram ciosos da originalidade na filosofia, num mundo em que as informações eram muito mais lentas do que hoje. Como eles sabiam que tinham algo diferente dos outros povos?
Segunda a obra, durante muito tempo confrontou-se duas interpretações sobre o começo histórico da filosofia: a dos orientalistas, que acreditam que os gregos herdaram a sabedoria dos povos orientais; e dos ocidentalistas, que afirmam a Grécia como o berço da filosofia e da ciência.
As coisas mudam com as pesquisas arqueológicas do século XIX, substituindo muito das elucubrações e propondo novas hipóteses. O estudo da mentalidade arcaica afirma que a compreensão da passagem da mensalidade mito-poética para a mentalidade teorizandte é o principal aspecto da questão da origem da filosofia.
Embora a questão do início histórico da filosofia continue um problema em aberto, muitos historiadores ainda admitem que foram os gregos que iniciaram a audácia de construir teorias. Das conquistas esparsas e assistemáticas dos orientais, com os gregos, buscou uma unidade de compreensão racional. Resultado de um longo processo de racionalização da cultura, convergindo com fatores variados, permitindo a eclosão do milagre grego.